“Feliz aquele que o SENHOR Deus não acusa de fazer coisas más e que não age com falsidade! Enquanto não confessei o meu pecado, eu me cansava, chorando o dia inteiro. De dia e de noite, tu me castigaste, ó Deus, e as minhas forças se acabaram como o sereno que seca no calor do verão. Então eu te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados”. Salmos 32:2-5
Poucas coisas em nossa vida possuem um poder tão nocivo quanto o falta de perdão. Sentimentos como o ódio e a mágoa são destrutivos, e a medida que permanecem habitando nosso coração, vão corroendo toda nossa estrutura emocional, e assim como uma peçonha que se infiltra na corrente sanguínea para rapidamente destruir os tecidos celulares, de semelhante modo, tais sentimentos se espalham em nosso ser, inflamando a alma, necrosando a alegria, definhando o físico.
Mas, como para todo veneno existe um antídoto, também para os males da odiosidade há uma cura: o perdão. O poder desta atitude é capaz de neutralizar todos os malefícios advindos da mágoa, reconstruindo aquilo que foi danificado, trazendo de volta a saúde para as emoções.
Gostaria de transcrever uma história que retrata perfeitamente os males do ódio e os benefícios do perdão. Acompanhe-me:
“Tudo começou quando Regina tinha apenas 12 anos de idade. Seu pai, então, a violentou. Essa agressão para com aquela garota não ocorreu uma, duas ou três vezes, mas durante um período. Em sua mente infantil isto causou uma grande confusão – “por que meu pai está fazendo isto comigo?” Apesar de não reconhecer a gravidade total do que estava acontecendo, sentia algo errado, e isto foi lhe causando sentimento de culpa. Ao mesmo tempo nutria raiva de quem lhe forçava a agir assim; medo de pensar em quantas vezes mais ainda passaria por isso; rejeição por ter sido traída e machucada por quem tanto amava e confiava; vergonha e receio de que pudessem descobrir esse segredo; e, finalmente, atemorizada pelas várias ameaças do pai.
Um dia ele parou. Porém, a vida daquela garota esta definitivamente marcada e ela tingiu a idade adulta sufocando em seu íntimo todos os traumas que aquilo lhe causara.
O tempo passou. Aos 44 anos, já casada, com filhos, vivendo em outra cidade que não a que seus pais moravam, ela recebe um telefonema de sua mãe. chorando, pedia que Regina fosse até onde eles viviam, pois o pai estava hospitalizado, morrendo do mal de Parkinson.
- Jamais farei isso! Faz 32 anos que não nos relacionamos. Não quero vê-lo agora, mesmo que esteja à morte!
Apesar dos argumentos da mãe, Regina estava decidida. No entanto, depois de ter desligado o telefone, o Espírito Santo iniciou Sua obra de convencimento no coração. Pensando um pouco em sua própria vida, concluiu que seus relacionamentos pessoais não estavam abalados apenas com o pai. Seus filhos, marido, amigos, irmãos da igreja; ela vinha tendo problemas com várias pessoas. O fato de não ter enfrentado aquela experiência amarga com o pai, procurando resolvê-la até chegar ao perdão, havia contaminado seu interior e, agora, contaminava o envolvimento com pessoas próximas a ela. Ao conscientizar-se disto, aquela mulher viajou até onde o pai estava, foi direto ao hospital sem ao menos avisar a mãe de que havia chegado à cidade. Dirigiu-se ao quarto, pediu às enfermeiras que se retirassem, fechou a porta, puxou uma cadeira para perto da cama e sentou-se.
Debilitado pela doença, sem quase poder se mover, sem conseguir mais articular as palavras, mesmo assim, surpreso, ele a reconheceu.
- Não sei se o senhor pode imaginar o que é para uma criança de 12 anos ser violentada pelo próprio pai; ou então, para uma adolescente crescer com os traumas e os fardos de uma experiência como esta e com a ausência de um relacionamento com o pai; para uma noiva estar no altar sem ter com ela a figura paterna; para uma mãe não poder desenvolver o amor de seus filhos pelo avô, de não vê-los receber a influência benéfica desse avô. Eu passei por tudo isto. Mas quero que o senhor saiba que vim hoje aqui porque Deus falou ao meu coração e agora, passados todos estes anos eu consigo finalmente lhe pedir perdão pela amargura que acalentei e que impossibilitou que nos relacionássemos durante todos esses 32 anos. Você me perdoa, pai?
Ele sacudiu a cabeça levemente, demonstrando que sim. Regina então o beijou na testa e começou a sair do quarto. Não dera muitos passos quando escutou atrás de si um ruído. Voltou-se e viu seu pai tentando com muito esforço, colocar-se de pé. Foi até ele que se atirou em seus braços e com dificuldade procurou dizer:
- Filha, você sim precisa perdoar-me por tudo que fiz.
Aquela senhora abraçou fortemente seu pai, depois ajudou-o a deitar-se, despediu-se dele carinhosamente e foi embora.
Ao andar pelo corredor do hospital, ela era uma mulher diferente. Sentia-se leve como um pássaro, agora livre de um imenso fardo que fora retirado de seus ombros.
Duas semanas depois o pai morreu, e o comentário de Regina foi o seguinte:
- Parece que esperou que eu o visitasse para me pedir perdão e depois morrer.
(Extraído do livro "Perdão, o primeiro passo para a cura interior" de Jaime Kemp, Editora Sepal, 1993.)
Antes que tudo em tua vida seja contaminado pelas raízes maléficas do rancor, da ira, da mágoa, recorra a vacina do perdão e desfrute de seu poder regenerador. Perdoe! Não espere sentir vontade para tal, mas determine-se a perdoar hoje. Quanto mais tempo você permitir esse mal em teu coração, maiores serão os estragos por ele causados. Cure-se! Perdoe!
Tenha uma semana repleta de oportunidades para conceder perdão.
Pr. Robério Alexandre

Pastor Robério parabéns pelos textos e reflexões. Como sempre, ajudando as pessoas a enfrentarem ou descobrirem as melhores formas de viver. Que você continue assim, e que o perdão faça parte de sua vida sempre. Aprendi mais um pouco hoje com o seu texto, quero aprender mais. Dizem que perdoar é livrar-se de dormir todas as noites com o seu inimigo. Acredito nisto. E busco também praticar o perdão. Muito agradecido pelas palavras. Fica na paz! Abraço forte!
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