
Em toda guerra há os vencedores e
os perdedores. Em algumas lutas, é verdade, todos saem perdendo, e raras são
aquelas batalhas em que ambos os lados consideram-se vitoriosos. Nesta
vergonhosa e famigerada disputa, representada por estes senhores acima, pseudos
líderes cristãos, penso que não há ganhadores. Senão, vejamos:
Há aqueles que se consideram vitoriosos por torcer pela morte da combalida
igreja evangélica brasileira – Embora classificados como pertencentes ao
movimento denominado de Neo-Pentecostalismo, é inegável que a postura
desavergonhada destes Apóstolos e Bispos de plantão, sugere uma ferida
purulenta, fédida, e que, por seu poder contagiante, já a muito adoece o
cristianismo evangélico. Assim, alguns estão em polvorosa torcendo por mais
esta sangria na fé evangélica. Entretanto, penso que este pode ser ao invés de um
naufrágio geral, a oportunidade de lançar fora os “pesos mortos” que apenas atrapalham
a navegação da “nau evangélica”. Acredito que esta exposição de métodos e
práticas de surrupiar e gerir mal o dinheiro de fiéis, pode fazer surgir uma
geração de crentes mais críticos, mais tenazes, capazes de escolher seus guias
espirituais e o rebanho a que farão parte, não pelo carisma do líder, nem pela
sua capacidade de manipular o sobrenatural, mas pelo seu compromisso com a
ética, honestidade, justiça, e, acima de tudo, com a criteriosa exposição das
verdades bíblicas.
Há aqueles que se consideram vitoriosos por defender o abandono da fé –
Diante de líderes mal intencionados, que edificam templos gigantescos, e constroem
impérios de comunicação de massa, e expandem sua “filiais”, e treinam seus
pupilos, e fazem tantas outras coisas com um único propósito: “amontoar para si
riquezas”, os fiéis que possuem um pouco mais de senso crítico e um pouco menos
de convicção de Fé, logo são tentados a generalizar tais práticas para todas as
instituições religiosas e seus líderes. E aí, com o descrédito vem à decepção,
a frustração, e em seguida a revolta, e logo depois a apostasia, e então mais
um “crente” torna-se um “descrente”. Porém, não há vitória onde a Fé morre. O
mundo não seria melhor se as pessoas acreditassem somente em si mesmas – aliás,
esta autossuficiência já tem tornado o mundo individualista demais; também não
seria melhor se os homens acreditassem somente no poder do dinheiro, ou na sua capacidade
intelectual, na força da razão, no mundo material. Houve tentativas anteriores
de se excluir Deus da vida humana: Cientistas e pensadores decretaram a morte
de Deus, levando regimes de governo a adotarem sistemas filosóficos que aboliam
o culto e a fé em suas sociedades; o resultado não foi uma coletividade melhor,
mais justa, mais harmoniosa, e sim uma repetição dos mesmos erros vistos nas
sociedades abertas as crenças religiosas. O problema não está na fé, nem mesmo
numa crença específica, mas sim no uso que homens a priori inescrupulosos fazem desta fé em benefício próprio. A Fé é
benéfica. A Fé é um bálsamo para o sofrido, é um refrigério para o cansado, é a
força necessária para o que não tem nenhum vigor, é a esperança que não nos
deixa desistir.
Há aqueles que se consideram vitoriosos por fazer uso deste estado de
coisas como argumento comprovador de que sua religião é melhor – Dois
líderes de duas das mais poderosas igrejas protestantes da atualidade se
degradeando, num espetáculo vil e inojante, em que, nos bastidores, sabe-se com
certeza que estão os interesses mercadológicos, é mais uma de muitas outras
aberrações comumente divulgadas pela mídia atrelando-se às igrejas evangélicas
e seus líderes. Isso, por si só, poderia fazer acreditar que a Igreja
Evangélica é um porão infestado de ratos vorazes, e que, portanto, não merece
sua credibilidade e atenção. Talvez este seja, ultimamente, o argumento mais
utilizado por não-evangélicos para demover do coração dos simpáticos a fé
evangélica a sua convicção. Há de se lembrar, entretanto, que o que está sendo
posto com todas essas denúncias e a exposição destas mazelas de pessoas
amorais, não é o movimento evangélico em si, mas sim o uso de seus pressupostos
para finalidades aversas a sua origem. A Fé Evangélica em sua procedência, no
arcabouço de suas doutrinas, e na determinação de seus propósitos, nada tem em
comum com o evangelicalismo dos Soares, Macêdos, Valdemiros, Hernandes e alguns
outros abutres da fé. O que estes apregoam, é uma versão caricata e bisonha do
movimento protestante evangélico. Ademais, por causa das muitas falhas morais
também presentes nos outros círculos religiosos, esse não seria o melhor
caminho para conquistar seguidores. Infelizmente, somos todos humanos, falhos,
pecadores, e buscamos exatamente em nossas igrejas, os meios e os caminhos para
atenuar nossas moléstias. A melhor igreja, portanto, não é aquela desprovida de
imperfeições, visto que para tanto, nela não poderiam congregar seres humanos.
A melhor igreja é aquela que, mesmo composta de humanos imperfeitos, tem como alvo
o Cristo. Seu propósito é parecer-se com o Mestre Jesus. Ela impulsionará seus
seguidores a andar em justiça, em paz, buscando o bem comum. Seus maiores
projetos não serão frutos de elaborados estudos de engenharia; sua beleza não
consistirá da suntuosidade de seus templos; sua riqueza não se comprovará pelas
cifras de um patrimônio material; seu poder não se manifestará na pretensa
solução de causas pessoais; sua influência não se medirá no alcance dos sinais
de TV pagos com milhões de Reais. A melhor igreja não terá um homem como seu
cabeça – todo homem é falho, ela verá em Jesus seu guia supremo, e em sua
Palavra a direção certa. A melhor igreja possui líderes que fazem pouco caso
dos títulos (papas, apóstolos, bispos, pastores, iluminados, etc.), pois sua
melhor identificação é a de “servos”; e como tais, rejeitam todo ato de
idolatria, não querem para si glória, não concordam com o endeusamento, visto
que foram chamados a apontar para Jesus – “autor e consumador da nossa fé”. A
melhor igreja não acumula patrimônio em detrimento da penúria de seu povo; não
estabelece “metas de produtividade” como se empresa fosse; não aplica seus
recursos em fazendas, em bancos, em empresas de aviação, em redes de televisão,
mas investe em pessoas... gente é o seu patrimônio. A melhor igreja não se
deixará vencer pelo mal, mas vencerá todo o mal com o bem. Creio fazer parte
desta igreja. Ela não se limita a uma placa posta na frente da fachada de um
prédio. Ela não se traduz por um específico e elaborado compêndio de doutrinas.
Ela não poder ser apontada e identificada geograficamente. A melhor igreja
somos todos nós, inclusive os verdadeiros evangélicos, que lutam todos os dias
por seguir as pisadas do humilde “Carpinteiro de Nazaré”.
Amem Pr. Robério,Louvo a Deus por fazer parte do seu Rebanho, não tenho de que me envergonhar você é uma Benção!
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