sexta-feira, 9 de novembro de 2012


O ENGANO DA ESPIRITUALIDADE PÓS-MODERNA

 “Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Eles não são do mundo, como eu também não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.  Jo 17:15-17

A nossa tendência aos extremos é perturbante. Algumas décadas atrás, os cristãos evangélicos açoitados pelo legalismo tupiniquim e pelos modismos teológicos enlatados, importados principalmente dos Estados Unidos, tendiam a se tornar uma comunidade de “xiitas” cristãos, radicais quanto a toda leitura dogmática e prática religiosa. Fruto dessa tendência em que tudo era considerado pecado, nosso povo se “exilava” numa espécie de “mundinho pré-celestial”.

Os anos passaram, e com eles a tendência “xiita cristã” se desvaneceu. A pós-modernidade venceu a luta contra o radicalismo fundamentalista dos evangélicos, e os lançou numa outra tendência exatamente e diametralmente oposta a anterior. Se antes se buscava criar um mundo próprio que nos afastaria daquele que nos cercava, agora não só penetramos nos “arraiais estranhos” como cada vez mais nele vivemos e dele nos sentimos parte integrante.

O que vemos hoje nos rincões cristãos é o sobejar do pensamento liberal, que apregoa uma releitura bíblica centrada em matizes humanistas. E o que sobra da leitura bíblica após essa “peneirada” liberal humanista? Um livro como outro qualquer, cheio de histórias que não querem dizer o que aparentemente dizem.

Nossa prática religiosa, calcada de um pragmatismo aviltante, busca resultados imediatos no ínterim de comprovar nosso discurso. Assim, é “possuidor” de Deus quem dele consegue extrair os fins que se deseja.

Com nossa leitura bíblica esvaziada, e com nossa prática equivocada, resta-nos cada vez mais um universo crescente de cristãos nominais, que à medida que se tornam espiritualistas, deixam de ser espirituais.

As igrejas estão cheias de frequentadores de cultos dominicais. Insistem em está lá pelo receio de não quebrar a “corrente”, ou algo similar, e assim, incorrer no risco de perder a “bênção”. São cristãos consumistas que não se preocupam em ler a bula, o manual de instrução, às informações do rótulo. E como dizem os nutricionistas, somos basicamente aquilo que consumimos; então, poucos se importam com sua identidade religiosa, aliás, da mesma forma que o termo moral tornou-se pecha, ser religioso veio a ser reprovável. Pura hipocrisia. Com todas as mazelas e perversidades praticadas pela humanidade, lutaremos agora por deixar de ser humanos?

Se os cristãos continuarem a dar ouvidos as vozes dos “gurus” ou “mantras” que vivem repetindo discursos que tornam-se atraentes porque estão sintonizados com a Era atual, uma época que rejeita as “velhas verdades”, que apregoa a falsa liberdade e o amor sem critérios, deixaremos de ser cristãos. E se nos omitirmos diante do crescimento de uma fé utilitarista, apregoada por mercenários profissionais do púlpito, acabaremos por nos tornar anticristãos.  

Diante da pulverização da fé, ou em sua absoluta negação, nós cristãos evangélicos precisamos crer profundamente nas eternas verdades bíblicas, e isso tendo conhecimento de causa. É imprescindível adquirir o conhecimento da fé que se professa, esmiuçá-la, compreender suas implicações... comer o Livro (Ez 3.3; Ap 10.10), voltar-se para a bússola, para o único manual viável ao que deseja ser cristão. Precisamos viver as eternas verdades bíblicas, e isso com tamanho empenho e reverência, que não haja distancia entre aquilo que é dito, e o todo do que é praticado. 

Assim, o caminho que temos trilhado deve sim ser revisto, não para buscarmos um atalho que aparentemente seja mais conveniente ao nosso tempo, nem para trocarmos de locomotiva, por parecer que a que ocupamos “envelheceu” e não oferece rapidez e segurança. Devemos analisar nosso caminho em busca de fazer nele a devida manutenção, retirando de sobre os trilhos os empecilhos que porventura possam causar “acidentes”. E quanto a locomotiva, joguem-se fora os pesos desnecessários, ponha-se novo combustível, e a “velha máquina” mostrar-se-á confiável.

Permaneço no vagão. Recebi minha passagem do condutor, e ele me garantiu que chegarei por este trilho e nesta locomotiva ao destino final, e esse não é, com certeza, na estação desta religiosidade pós-moderna.

                 “Posso não ter carisma... mas não posso não ter caráter
Pr. Robério Alexandre

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