segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Goiabas Roubadas são mais Gostosas


     Romanos 7:19  Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço”.
     Romanos 12:21  Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”.

Nesta semana estive no médico, e como suspeitava, as coisas não estão muito bem. Para corrigir os males de uma vida sedentária e uma dieta hipercalórica, preciso rapidamente perder peso, e para tanto devo abraçar o dueto exercício físico e dieta alimentar como sendo companheiros permanentes do meu dia-a-dia. Para algumas pessoas, estes dois ingredientes são facilmente integrados à vida, mas confesso, comigo não é bem assim. Sou averso a  “malhação” e amo comer bem.

Na minha infância fui um leitor compulsivo de gibis. Lia muito, dos clássicos da Disney aos épicos da Marvel e DC. Dentre estes tantos, houve algumas histórias que me marcaram, e volta e meia tornam-se vivas em minha memória. Com o advento desta dieta que terei que abraçar, lembrei-me de uma história que li num dos clássicos de Maurício de Souza, cujo personagem principal era Chico Bento, e tinha como tema: “Goiabas Roubadas são mais Gostosas”. Trata-se de um conto em que o autor enreda sabiamente a tendência que temos em desejar justamente aquilo que nos é proibido. Embora Chico Bento tivesse em seu próprio terreiro um belo pomar com diversos tipos de frutas, inclusive goiaba, ele somente sentia-se tentado a comer das goiabas do visinho. Elas, aos olhos do caipirinha, pareciam ser mais gostosas.

 Mesmo percebendo os sinais que indicavam que minha saúde não estava tão bem assim, continuei a preferir as relaxantes sonecas da tarde ao invés das sacrificantes caminhadas, optei por encher os meus pratos com suculentas massas em detrimento das repugnantes saladas. Tudo que me é proibido, sempre me pareceu mais gostoso.

No texto em questão, Paulo parece padecer do mesmo mal. Não que ele esteja tratando de uma opção alimentar, ou de hábitos saudáveis para o corpo, mas declara sua tendência humana em optar por aquilo que lhe será prejudicial a alma, ou seja, o pecado.

Somos todos assim... sempre desejando comer daquilo que, afinal, acabará por nos fazer mal. Parece sempre mais fácil agredir do que pedir perdão; odiar do que amar; fingir do que dizer a verdade; esbofetear do que acariciar. Nossos olhos focalizam rapidamente os sorrisos nas baladas, nos shows, nas festas de rua, e entretanto, no culto, sãos eles facilmente atraídos pelos rostos carrancudos e olhares atravessados. É incrível como nosso intestino digere rapidamente as atitudes amáveis. Elas são logo engolidas, e instantaneamente absorvidas pelo trato intestinal, logo serão excretadas pela nossa memória. Todavia, as ofensas demoram a ser tragadas. Elas insistem em permanecer na boca, e quando cansativamente mastigadas dessem ao estômago, são regurgitadas para que mais uma vez voltem ao paladar, e assim, num processo lento, demoram-se dentro de nós.

Queridos, embora tendentes ao erro, e inegavelmente atraídos por aquilo que é proibido, temos que nos lembrar que tais coisas embora temporariamente tragam prazer, podem ser posteriormente a causa de nossa morte. Ainda que como Paulo reconheçamos que invariavelmente acabamos por fazer o mal que não queremos fazer, como ele também devemos nos lembrar de não nos deixar vencer pelo mal, mas vencer o mal com o bem.

Lute, esforce-se, caminhe a carreira que ti está proposta, faça a dieta adequada. Quando abdicarmos de alguns destes momentâneos prazeres, teremos construído em nós uma robustez que nos permitirá provar de outros sabores e prazeres que ainda não descobrimos, e veremos então quão válido foi nosso esforço.        

Tenha uma semana de vitórias sobre o mal.


Pr. Robério Alexandre

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