Gênesis 28:12 “Então Jacó sonhou. Ele viu uma escada que ia da terra até o céu, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela”.
Entre as décadas de 50 e 60, vivendo em meio a um ambiente de ostensiva segregação racial, surge o lendário pastor negro norte-americano Martin Luther King. Vivendo e exercendo seu ministério nas regiões onde o racismo era dominante, Luther King tornar-se-ia conhecido pela sua luta em favor dos direitos civis igualitários. Quando não era possível aos negros sentar-se à mesa em restaurantes, ir ao cinema, locomover-se sentado na maioria dos ônibus, Martin Luther King em 28 de agosto de 1963, reuniu 250 mil pessoas na Marcha sobre Washington e ali presenteou seus irmãos negros e todo o mundo, quando fez nas escadarias do Lincoln Memorial, aquele que foi tido como o maior discurso do movimento pelos direitos civis: “Eu Tive Um Sonho”.
Diante de uma atmosfera de severa perseguição, onde dor, desprezo e sofrimento eram as cores que davam a tonalidade, King ousou permanecer sonhando com liberdade e igualdade.
Jacó, o personagem bíblico central da referencia acima, vivia também um ambiente de crise. Como fruto de sua gênese familiar, desenvolve uma personalidade com bruscas falhas de caráter. Egoísta, trapaceiro, vacilante, maquiavélico, estes e outros adjetivos identificariam o futuro patriarca das 12 tribos de Israel. Convivendo com relações familiares doentias, cresceu preterido pelo pai enquanto amado e protegido pela mãe. Sua relação fraterna acabou por tornar-se uma espécie de disputa cujo fim levou seu único irmão a odiá-lo.
Fugido de casa, Jacó vive sua crise existencial. Não logrou êxito em ser o filho predileto do pai. Não pode mais desfrutar do afetuoso carinho de sua mãe. Não sobrepujou seu irmão nem mesmo por meio de ardilosos estratagemas. Não constituiu família como era seu desejo. Jacó é um homem solitário. Cansado e desmotivado, sem muitas perspectivas, o filho caçula de Isaque adormece debaixo de uma árvore, tendo como travesseiro uma pedra. Deste sono, na sua condição, esperar-se-ia que o andarilho Jacó tivesse pavorosos pesadelos, mas, somos surpreendidos pelo texto que descreve um Jacó que sonha. Seu sonho fala de esperanças, de perspectivas, de apoio contínuo, de família. Tudo aquilo que Jacó não tinha no momento, tudo aquilo que ele perdeu ao longo da vida fora o que povoara o sonho de Jacó. Ele precisava daquele sonho para continuar... sim, ele precisava olhar pra frente.
Caro amigo e irmão, as crises possuem o poder de nos roubar os sonhos. Inquietos e atormentados pelas lutas, nossos corações sucumbem sem esperança. Junto com a morte dos sonhos, falecem também os projetos, fraquejam as mãos que lutam, estagna-se o progresso da vida.
Ainda que você esteja vivendo dias difíceis, e dos teus olhos fujam toda boa perspectiva; ainda que te pareça faltar o teto e o teu travesseiro se mostre duro como pedra; ainda assim, não se permita deixar de sonhar. Sonhe, pois os sonhos podem nos manter vivos. Sonhe, os sonhos podem demarcar o nosso futuro. Sonhe, eles nos levarão a caminhar. Sonhe, pois Deus continua a falar através dos sonhos.

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