segunda-feira, 30 de maio de 2011

CRESCIMENTO... , SIM, MAS COM DIGNIDADE!

Eu ouvi, Senhor, a tua fama, e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos; faze que ela seja conhecida no meio dos anos; na ira lembra-te da misericórdia”. Habacuque 3:2

Meses atrás morreu o senador amazonense Jefferson Perez. Em várias reportagens a cerca do assunto, pude verificar que todos os entrevistados elogiavam o ilustre senador cuja postura ética o destacava-se  em um ambiente político reconhecidamente entorpecido pela corrupção - como um dentre poucos com respeitável conduta.

 Ao assistir os emocionados discursos que homenageavam o finado senador, passei a me questionar sobre quão escasso em nossos dias são o numero daqueles que vivem os elevados padrões éticos da postura moral cristã, e isto não somente nos corredores de Brasília. Desde uma olhadela em torno de nosso micro habitat até os limites de nosso país continente, faltam-nos aqueles que nos serviriam de baluarte para a inspiração de um viver digno. Hoje como nunca, a célebre frase de Ruy Barbosa: “... o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86), esbofeteia nossa sociedade.

 Lembro-me que em minha defesa da monografia na conclusão do bacharelado em Teologia, um dos componentes da mesa questionou-me quanto à “dureza” com que desenvolvi o tema: ética no ministério pastoral. Dizia ele: “Você sabe que muitos vão está lhe vigiando, esperando um tropeço seu para passar-lhe em rosto suas afirmações”. Na verdade não fui duro, intransigente, ou coisa parecida, apenas atestei que a postura ética é uma exigência necessariamente imputável para aquele que “... almeja o episcopado” (1Tm 3:1-13), e digo mas, para todo aquele que se intitule cristão.

 Fico pensando no que veio a mente dos ingleses quando o grande líder indiano Ghandi afirmou-lhes que respeitava o Cristo por eles pregado, mas rejeitava o cristianismo por eles vivido. O que disseram? Certamente que nada. Ações falam mais que palavras. Aliás, conta-se de um pregador que ministrava seu sermão em certa igreja. Durante toda a pregação, percebeu que um indivíduo lá atrás lhe fazia sinais para que aumentasse o tom de sua voz. Assim o fez o pregador, e quase aos berros, não logrou êxito em satisfazer o ouvinte, que insistentemente, pedia-lhe para aumentar o volume da voz. Já desesperado e fortemente pertubado, o pregador parou o sermão e se dirigindo ao ouvinte aparentemente surdo perguntou-lhe: “Amigo, já estou gritando à plenos pulmões e ainda assim não me ouves?” Calmamente respondeu o ouvinte: “Não senhor, não lhe ouço a voz, pois suas ações ainda falam mais alto que suas palavras”.   

 O texto em questão é referencial para muitas campanhas espirituais em nossos dias. Fala-se hoje que o Brasil desfruta de um grande “avivamento espiritual”. Os números crescentes dos que se dizem evangélicos são divulgados nas mídias destinadas ao nosso público com um “ar triunfalista”. Alardeia-se que em breve seremos um país majoritariamente protestante. Recentemente li reportagem que destacava a cidade do Rio de Janeiro como tendo já hoje um número de evangélicos superior ao de católicos dito praticantes.

 Mas, que virtude há neste crescimento estrondoso se nele não encontram-se paralelamente os índices de transformação da mesma sociedade? Como falar de um avivamento se nossas igrejas abarrotadas de crentes que marcham, que profetizam, que decretam, que realizam milagres, são também os mesmos que caloteiam, que se envolvem assustadoramente em escândalos sexuais? Como falar de um novo mover de Deus, se a igreja continua extática quanto a transformação social, política e moral desta nação?

Não, não vivemos um avivamento genuíno! O Deus descrito em Habacuque despreza a hipocrisia de nossos líderes religiosos; rejeita esta espiritualidade que disfarça nossa ganância; aborrece nossa sede de poder, status e megalomanias afora. Desfrutaremos de um avivamento quando nosso evangelho for transformador. Quando homens e mulheres em nossas igrejas forem lembrados e deixarem saudade por sua referencia de conduta moral, por seu exemplo de dignidade. Seremos de fato um povo avivado quando nosso comportamento justiço exceder o dos escribas e fariseus. M. Bounds nos diz que: "Constantemente nos esforçamos por criar novos métodos, novos planos, para garantir eficiência na Igreja. Nos esquecemos que o homem é o método de Deus. A Igreja procura melhores métodos. Deus procura homens melhores."

 Sejamos esses homens melhores...
 Deus nos ajude!

 Tenham uma semana com muita dignidade!

Pr Robério Alexandre     

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