“Ora veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei; às nações te dei por profeta. Então disse eu: Ah, Senhor Deus! Eis que não sei falar; porque sou um menino. Mas o Senhor me respondeu: Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás.” Jeremias 1:4-7
Desculpas..., como as usamos! Na tentativa de fugir das responsabilidades, no desejo de continuar errando, no calar da consciência, no viver sem se comprometer, somos mestres em fazer uso de escusas. Lembro-me do conto sobre o escorpião:
- Caro escorpião, quero poder salvar-lhe, mas receio ser picado pelo seu ferrão. Em resposta, o agonizante escorpião afirma:
- Pode vir sapo amigo, prometo-lhe não lhe fazer mal algum.
Encorajado, o sapo mergulha no turbulento rio, e logo alcança o escorpião, que de imediato, sobe nas costas do perito nadador.
No trajeto de volta para a terra firme, o escorpião que estava em cima do sapo, não se contém, e olhando firmemente para as costas do sapo, desfere-lhe uma ferroada. Confuso, e sentindo a dor da agressão, o sapo que começa a perder as forças questiona seu algoz:
- Escorpião, por que me traístes e desferistes tal golpe em mim? Não sabes que agora morreremos os dois neste rio caudaloso? O escorpião, também começando a se afogar, responde ao sapo:
- Perdoe-me meu bom amigo, não posso ir contra minha natureza.
A épica historieta soma-se a muitos relatos bíblicos que também descrevem atitudes daqueles que resvalam na vida usando-se de desculpas como subterfúgio. Jeremias, no texto acima, tenta se esquivar da função de profeta usando sua inexperiência como desculpa. À semelhança do jovem profeta, outros se armaram de escusas para não assumir responsabilidades: Adão, ao ser confrontado com seu pecado, esquiva-se da culpa transferindo-a diretamente para sua mulher e indiretamente para Deus (Gênesis 3:12); Moisés ao ser convocado pelo próprio Deus para libertar os israelitas das mãos de faraó, aponta como impossibilidades uma série de fatores: 1º alega ser insignificante para tal papel (Êxodo 3:11); 2º afirma não ter credibilidade suficiente (Êxodo 4:1); 3º destaca suas limitações físicas (4:10). Gideão também não foge ao script, chamado por Deus para liderar seu povo, declara-se incapaz, pois é “o menor de sua família que é a mais pobre do seu povo” (Juízes 6:15). Assim como estes, tantos outros “heróis” bíblicos optaram em dado momento por utilizar-se de desculpas para fugir ao confronto com a vida. A regra geral, no entanto, nestes textos, é que as desculpas nunca foram aceitas por Deus. Para todas elas, ficou demonstrado que mesmo diante de reais limitações, com o auxílio divino, somos capazes de assumir nosso lugar e enfrentar vitoriosamente as adversidades.
Desculpas são as armas dos covardes. Sejamos, pois valentes, e assumamos as responsabilidades frente à vida. Não podemos agir como o escorpião, desferindo golpes por todo lado, pois “esta é a nossa natureza”. Se possuirmos falhas de caráter, lutemos abertamente contra elas; se temos limitações físicas, nos esforcemos por suplantá-las; se somos imaturos, se nos faltou estrutura, se a vida não nos presenteou com algo mais, cabe-nos reverter o quadro compensando o que falta com esforço, coragem e confiança no Senhor. Sua palavra para nós, homens limitados, sempre foi: “Esforça-te, e tem bom ânimo...” (Josué 1:6).
“Posso não ter carisma... mas não posso não ter caráter”
Pr. Robério Alexandre

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