segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ENXERGANDO A VIDA COM BONS OLHOS - II


“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”.
Lamentações de Jeremias 3:21

Há alguns dias atrás, num culto de estudo bíblico, lancei um questionamento na igreja perguntando-lhes se poderiam destacar mudanças que teriam ocorrido no meio evangélico desde o período de suas “conversões”.  Por parte da grande maioria dos irmãos, houve certa dificuldade em trazer a memória os aspectos positivos; no entanto, quando os requisitei a mencionar as mudanças que aos seus olhos lhes pareciam ruins, houve uma enxurrada de citações. Por que isso ocorreu? Será que o evangelho vivenciado em nossos dias possui tantas deficiências e quase nenhuma evolução em relação aos anos passados?  Do mesmo modo, em um outro momento, vivenciando uma das nossas Koinonias com Casais (tipo de terapia em grupo), realizamos uma dinâmica que consiste em apresentar e passar de mão em mão, uma folha de papel ofício branca com um único pingo de cor preta no centro, e após o exame minucioso da folha, foi feita uma simples pergunta aos participantes: O que estavam vendo em suas mãos? A resposta foi unânime. Todos viram um pingo preto numa folha branca. Ou seja, todos voltaram sua atenção para um único e minúsculo pingo preto, e não prestaram atenção em todo o branco que sobrava na folha. Estas duas experiências servem-nos para revelar a facilidade que temos em nos deter diante dos maus momentos. Os acontecimentos ruins, as situações difíceis, as crises pelas quais passamos, todas elas acabam por deixar marcas, e como âncoras, estas memórias tem a força de nos atrelar a um passado que teima em ser lembrado.
                Entretanto, não poderemos viver bem o presente enquanto não superarmos as dores do passado. Algumas pessoas amputadas desenvolvem a sensação de dor em membros que já não possuem mais. A agonia permanece mesmo na ausência de sua causa. Muitos náufragos ainda vivenciam a sensação de afogamento, mesmo estando em terra firme. É necessário então não mais tratar o físico, agora, à enfermidade está na mente, na alma, e tais fantasmas precisam ser exorcizados, deixados para traz. Livre-se das âncoras, serre as correntes, tire as amarras. Mas, para que essa tarefa seja bem sucedida, faz-se necessário, à medida que são arrancados os marcos de dor, trazer à tona as boas memórias e plantá-las em substituição. Assim, ao invés de uma floresta negra de más recordações, teremos um enorme pomar de boas e edificantes lembranças.
Pare, pense bem, você as possui. As boas memórias estão aí em algum lugar empoeirado do seu coração. Quantos dias felizes junto à família, quantos momentos gostosos ao lado dos amigos, quantas noites de prazer desfrutadas com seu conjugue, quantas experiências maravilhosas vividas na presença de Deus, e todas elas, como pedras preciosas, estão enterradas em nossas lembranças, prontas para serem garimpadas.
Não emoldure o sofrimento, não o coloque na parede de destaque do seu coração. Não deixe que o “pingo preto” chame mais sua atenção que todo o branco da folha. Preste atenção nestes espaços, pois eles podem significar momentos reluzentes já gravados em sua vida, ou oportunidades de escrever belos capítulos em sua história.  

Mãos à obra... traga à tona aquilo que te pode trazer esperança.

                 “Posso não ter carisma... mas não posso não ter caráter
Pr. Robério Alexandre

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