terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CUIDADO COM OS MAUS CONSELHEIROS

Números 20:1-12

1  No primeiro mês todo o povo de Israel foi para o deserto de Zim e acampou em Cades. Ali Míriam morreu e foi sepultada. 2  Naquele lugar não havia água; por isso o povo se reuniu e começou a reclamar contra Moisés e Arão. 3  Eles diziam: —Teria sido melhor se tivéssemos morrido na frente de Deus, o SENHOR, com os nossos companheiros, os outros israelitas! 4  Por que você trouxe o povo do SENHOR para este deserto? Será que foi para morrermos junto com os nossos animais? 5  Por que você nos trouxe do Egito para este lugar terrível, onde não há cereais, nem figueiras, nem parreiras, nem romãs? E além de tudo não há água para beber! 6  Então Moisés e Arão saíram dali, onde o povo estava, e foram para a porta da Tenda Sagrada. Eles se ajoelharam, encostaram o rosto no chão, e a glória do SENHOR apareceu. 7  E o SENHOR disse a Moisés: 8  —Pegue o bastão que está em frente da arca da aliança, e depois você e Arão reúnam o povo. E na frente de todos eles dêem ordem à rocha, e dela sairá água. Assim, vocês tirarão água da rocha e darão de beber ao povo e também aos animais.
9  Então, como Deus havia ordenado, Moisés pegou o bastão que estava diante de Deus, o SENHOR. 10  Moisés e Arão reuniram o povo em frente da rocha, e Moisés disse: —Agora escute, gente rebelde! Será que vamos ter de fazer sair água desta rocha para vocês? 11  Moisés levantou a mão, bateu na rocha duas vezes com o bastão, e saiu muita água. E o povo e os animais beberam. 12  Porém o SENHOR disse a Moisés e a Arão: —Vocês não tiveram fé suficiente para fazer com que o povo de Israel reconhecesse o meu santo poder e por isso vocês não vão levá-los para a terra que prometi dar a eles.

Alguns dias atrás, na igreja que pastoreio, estive pregando neste texto, e como fui fortemente confrontado com ele, quero compartilhá-lo com os amigos.

Todos os dias somos chamados a tomar decisões. A lei física da ação e reação toma escalas maiores em nosso cotidiano e constantemente somos impelidos a reagir diante das mais diversas situações. Desde as menores escolhas, como o que comer no café da manhã, até aquelas decisões que acabam por afetar toda a nossa vida, devem ser tomadas com o mínimo de cautela e reflexão. Ponderar sobre nossas escolhas e decisões antes que venham a se tornar atitudes evitaria futuros arrependimentos e até mesmo graves conseqüências.

Para que tomemos decisões acertadas, por muitas vezes temos buscado orientação e escutado conselhos os mais diversos. Mas, nem todos aqueles que nos falam são bons conselheiros, e se acabarmos por ouvi-los, erraremos nas atitudes.

Neste episódio bíblico relatado acima, veremos alguns exemplos de maus conselheiros que devem ser rechaçados. Por darem atenção aos maus conselheiros, tanto o povo hebreu como o seu líder Moisés, erraram nas suas atitudes e acabaram por colher frutos amargos de suas decisões.

I – O Povo erra ao rebelar-se injustamente.
            Durante quase 40 anos caminhando pelo deserto, Deus, por intermédio da intercessão de Moisés, proveu para o povo o seu sustento. A longa e sofrida caminhada era fruto de suas próprias escolhas no passado. Moisés em nada havia colaborado para que assim o fosse. Entretanto, temos aqui um povo revoltado, que se levanta contra seu líder em murmúrios e acusações. O que levou o povo a tal situação? Acredito que algumas vozes falaram mais alto aos ouvidos desta gente. São elas, as más conselheiras:

1. A voz da mágoa do passado:  
            O povo neste texto está acampado no deserto de Zim, na região de Cades (v.1). Este não é um lugar de boas lembranças. Aqui, a cerca de 40 anos atrás, o povo resolveu dar ouvidos aos 10 espias (Num 13;14) e por causa de sua incredulidade, toda uma geração foi condenada a morrer vagando por longos 40 anos pelo deserto. Este lugar traz más recordações. Dor, sofrimento, perca, morte, são substantivos bem vívidos em Cades. No presente, repetem-se as mesmas acusações do passado (Num 14:1-4 comparar 20:2-5), e entendo que isto é sinal de feridas ainda abertas e mal curadas.
            Quando as mágoas do passado voltam a tona, tornam-se fortes conselheiras. As dores destas feridas falam alto, e costumeiramente somos envolvidos por elas. Dando ouvido as mágoas do passado, nossas decisões sofrerão influência e acabaremos seguindo seus maus conselhos, agindo erradamente.

2. A voz da necessidade do presente:
            O versículo 2 mostra-nos claramente que o estopim desta situação foi a falta de água para beber. Motivados pela necessidade emergencial de saciar sua sede, o povo parte para a ofensiva, e rebela-se contra seu líder.
            A necessidade que se apresenta com urgência não é uma boa conselheira. Toda necessidade que nos parece imediata leva-nos a tomar medidas que quase sempre serão precipitadas. Lembremo-nos de Esaú, quando faminto após um dia mal sucedido de caça, troca seu direito a primogenitura por um prato de lentilhas. Naquele instante, para Esaú, a fome, sua necessidade imediata, pareceu mais importante que todos os privilégios que possuía. Ele não foi capaz de avaliar corretamente a situação e suas alternativas.     

II – Moisés erra ao não observar a perfeita vontade de Deus
Conhecido com o “homem mais manso” sobre a face da terra, Moisés sempre foi criterioso em responder adequadamente as situações adversas. Sua conduta vinha sendo louvável, mesmo em meio a um turbilhão de problemas que sempre lhe cercaram; mas, neste caso específico, vemos Moisés cometer o seu maior erro, e acabar por colher sua pior conseqüência. O que levou Moisés a errar? Que vozes lhe aconselharam erradamente? Vejamos:

1. A voz das crises pessoais
            Moisés neste texto é um homem em crise. Algumas situações presentes aqui levariam qualquer homem a se abalar emocionalmente, e acredito, não foi diferente com Moisés:

a. A perca – no vers. 1, temos a notícia da morte de Miriã. Moisés acabara de perder sua irmã querida, companheira de longa data, e ao lado de Arão, seu braço direito na condução do povo.

b. O descrédito – do vers. 2 ao 5, ocorre uma celeuma que indica uma série de insinuações por parte do povo contra Moisés. Eles passam a demonstrar desconfiança em sua liderança.
Diante das palavras do povo que são confrontadoras e questionadoras, Moisés sucumbe a forte pressão em direção a sua capacidade pessoal como líder. Sem respostas e abalado, ele corre em busca do auxílio de Deus.

2. A voz da Ira:
Na presença de Deus, Moisés escuta toda a solução proposta. Deus detalha com minúcias tudo aquilo que deveria ser feito para que o problema fosse resolvido. Porém, emocionalmente abalado, podemos ver nos vers. 11 e 12 que a raiva já havia aconselhado Moisés. Parece-nos que o líder hebreu só pode escutar Deus pela metade. Sua mente captou a parte da mensagem divina que falava em pegar a vara, chamar o povo e levá-los até uma grande rocha, porém, daí por diante, ele não mais ouviu Deus; a voz que guiou Moisés adiante foi a voz da ira. Chamando o povo de rebelde, batendo na rocha repetidamente, e, não somente falando à ela, Moisés demonstrou está tomado pela raiva e desobedece a Deus.
A ira não é uma boa conselheira. Quando estamos inflamados pela raiva, só conseguimos olhar o mundo com as lentes da vingança, da violência, do troco. Mesmo tendo a solução pacífica em mãos, se dermos ouvidos a ira, optaremos por escolher atitudes que promoverão mais dor, mais sofrimento, mais ódio.

Conclusão: Existem muitas vozes que nos falam ao coração. Elas podem ser boas ou más. Seus conselhos podem ser seguidos ou rejeitados. Destas escolhas resultarão atitudes que poderão ser louváveis ou desastrosas, com bons frutos ou graves conseqüências.
            Permita-me fazer-lhe algumas perguntas neste momento: “A quem você tem ouvido antes de tomar decisões?” Será que as Mágoas do Passado, a Necessidade do Presente, as Crises Pessoais, e a Ira, tem falado ao teu coração e você tem lhes dado ouvido? Quero lembrar-lhe que por escolherem estes maus conselheiros, Moisés e aquela geração de hebreus não puderam entrar na terra prometida.

            Ao concluir, desejo trazer uma sugestão: Se tiver que ouvir alguém antes de tomar atitudes, antes de decidir algumas coisa, ouça o melhor conselheiro que existe. Vou mostrar-lhes quem ele é. Em Isaías 9:6 está escrito: “... o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Esta é a descrição que Isaías faz da pessoa que você deve ouvir, seu nome é Jesus. Ouça-o!

Tenha dias de bons conselhos e boas decisões!

Pr. Robério Alexandre        

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