segunda-feira, 25 de abril de 2011

APENAS CRER

Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”. (Isaías 55:9)
    
Somos seres estranhos, complicados mesmo. Tenho me perguntado se vale à pena explicar a fé, ou ainda se para crer é necessário entender. Os mais lógicos logo objetarão que a crença cristã é, segundo o apóstolo Paulo, racional (Romanos 12:1,2). Outros, entretanto, mais místicos, fincaram bandeira na impossibilidade de concatenar o mundo espiritual. E assim, como em distantes anos, ou cremos em tudo sem em nada questionar a razão, ou somente naquilo que a razão respalda.

Perdoem-me os mais lógicos, mas vou raciocinar com os místicos. Existem muitas incongruências na vida que os tratados filosóficos, as teses científicas, e os concílios teológicos, juntos, com a força do arrazoamento mental, não conseguem explicar se não apontando para um inconsistente acaso. Como explicar a desistência (segunda ela mesma, sem motivos) de uma passageira do vôo 447 da Air France, momentos antes de sua partida, para 3 horas depois resolver embarcar noutro avião? Ou como explicar a “sorte” de outro passageiro que também desistiu de embarcar no mesmo vôo pelos apelos dos familiares que o queriam por perto por mais algumas horas? Como racionalizar que num assalto, um tiro disparado a “queima-roupa” ao invés de atingir 0,70m2 de um corpo robusto, acaba por ricochetear numa caneta (metálica, ainda por cima) que possui apenas 0,03m2 de espessura, salvando assim a vida daquela vítima? Não há lógica numa tentativa de assassinato onde a perfuração por arma branca ficou apenas a distancia de uma pele para provocar, por hemorragia, a morte do rapaz! Acho que foi acaso demais quando uma criança caiu da janela do 3º andar de um prédio, e ao invés de se espatifar na imensa área livre do solo ou então sofrer traumatismos múltiplos ao chocar-se contra o muro logo abaixo, acaba sendo salva justamente por aquilo que mais facilmente poderia ter lhe causado a morte, ficando pendurada nos grampos metálicos da cerca de proteção pelos tenros tecidos de uma singela fralda. Perdoem-me pelo meu ceticismo, prefiro acreditar em uma força maior que o poder do acaso.

Acho mesmo que tenho neurônios de menos. Talvez por isso não consiga vislumbrar fórmulas que expliquem situações como estas e tantas outras de relatos semelhantes. Não compreendo as explicações racionais para tais fatos, e nem mesmo me atrevo a explicá-las dogmaticamente, apenas acredito que elas ocorrem não como fruto da sorte, mas como “intervenções divinas”. Não me pergunte do por que deles, nem por que ocorreram estes e outros tantos não. Não saberia lhes dizer. Mas, será que é mesmo preciso entender? Na verdade, faço eco com William Shakespeare quando dizia: "Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia".

Limito-me então vez por outra a apenas crer; e crer sem muitos questionamentos. Pois abro mão de uma fé que pra tudo busca entender, para entender por apenas crer.

Posso não ter carisma... mas não posso não ter caráter
Pr. Robério Alexandre

2 comentários:

  1. A reflexão desta semana veio a calhar. Também ando me questionando sobre "intervenções divinas" e/ou "obras do acaso". Confesso que me deixo vislumbrar, ainda, com as explicações científicas que, nada mais é, do quê a sabedoria de Deus, usada pelos homens, mas de forma torpe. Ser obra do acaso, ou mera coincidência, me instiga. Também questiono outras coisas que doravante poderemos discutir sobre. Mas, o que hoje eu li, caiu feito uma luva. Principalmente pela sua sapiência em abordar tais temas, e sempre trazer o sarcasmo de quem entende, mas finge não entender - e questiona. Parabéns por mais um belíssimo texto, que sem dúvida fôra mais uma vez inspirado por Deus. Do seu admirador, tão cético - quanto o mais fiel dos seres: Kell.

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  2. Obrigado Kell... Quanto a admiração, ela é recíproca.

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